quarta-feira, 25 de março de 2015

UM DIA JA MORRI

UM DIA EU JÁ MORRI

A vida é duas estradas
Uma vai a outra vem
Desce o caminho pra terra
Sobe quem vai ao além
Para contar de outro mundo
Ainda não veio ninguém
Só se sabe por disque-disque
Quem mora lá vive bem.

Quem nasce trás um destino
Vejam como foi o meu
Somente o poeta escreveu
Através do pensamento
No meu último momento
Senti meu peito apertado
Meu coração parando
Talvez por estar cansado.

Quando cheguei nas alturas
São Pedro me recebeu
Me disse tu já morreu
Estas agora ao meu lado
Esqueça todo o passado
Por favor tira o chapéu
Tu hoje estas comigo
Chimarreando aqui no céu.

Minha alma deixou meu corpo
Calma leve e sonolenta
Parecia até um tormento
Despedindo-se da terra
Quem vai tranquilo não erra
Tem seu lugar merecido
Lá encontrei meus parentes
Que a tempo tinham morridos.

 No jardim encontrei meu pai
Que veio me dar um abraço
Dizendo segue meus passos
Por esta estrada comprida
Aqui tu tens nova vida
Por onde você caminha
Me apresentou por surpresa
A minha querida mãezinha.

Eu dali já fui levado
Por um anjo onipotente
Onde tinha tanta gente
Não sombra do paraíso
E um letreiro por aviso
Que em ouro se reluzia
Dizendo vê teus amigos
Que a muito tempo não via.

Depois recebi um convite
Dos mais alto escalão
São Pedro por ser patrão
Abrindo seu dicionário
Me disse não sou vigário
Mas quero tua confissão
O que fizeste na terra
Prá servir os teus irmãos.

Falei: na minha vida terrena
Acho que fiz muito pouco
Muitas vezes passei por louco
Para servir meu semelhante
Lá fui pedra de diamante
Que nasce da natureza
Lutei para não ver crianças
Faltar o pão sobre a mesa.

Fui bom pai e bom amigo
Um esteio da família
Se minha estrela não brilha
Não por força de vontade
Pratiquei muita bondade
Com carinho e muito amor
Se eu errei peço perdão
Perante o Pai criador.

Na lei do Catolicismo
Cumpri meus dez mandamento
Parecia até um tormento
Quando na terra passei
Não roubei nunca matei
Fui arisco igual a potros
Fui correto e também nunca
Cobicei mulher dos outros.

Me apresentaram Jesus
Sobre um galpão fumacento
Tinha um rosário de tento
Onde rezava suas preces
Dizendo-me não te entristeces
Por me ver assim também
Aqui só encontra o descanso
Aquele que faz o bem.

Jesus pegando uma pena
Mostrou-me o globo terreste
Dizendo aqui junto estamos
Pouco me importa o tamanho
Eu cuido deste rebanho
Que por Deus me foi confiado
Só ganha as portas do céu
Quem vem livre de pecado.

Esta noite tive um sonho
Que para o céu me conduzia
No momento em que dormia
Fui conhecer o infinito
Passei por lugar bonito
Que ao lembrar me comove
Me disse Nossa Senhora
Volta cuidar do teu povo.

                                 Sidnei da Rosa Fontoura 08.11.2014

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