quinta-feira, 26 de março de 2015

ARQUIVOS DO TEMPO

ARQUIVOS DO TEMPO

Reculutando o passado
Eu volte a ser guri
Lembrei meu velho Itaqui
Nos tempos da liberdade
Senti no peito a saudade
Bebendo água também
No antigo bebedouro
Da velha estação de trem.

Fui ajoujando as lembranças
Vi a pracinha dos coqueiros
Os bichos eram companheiros
Vivendo numa harmonia
Me recordei da Eva Tobia
E o trem chegando de ré
E os fandangos nas Cafifas
e os baile do Caxirré.

Dando rédeas ao pensamento
Formou uma nuvem de poeira
Vi o Walter calaveira
Na sua carpeta de osso
E a peonada em alvoroço
Senti na goela um guascaço
Do guaraná engarrafado
Na fabriqueta do Guasso.

Fui até a sanga do corte
Onde pesquei lambari
Quando eu passei por ali
Com sol queimado o couro
Vi de longe o matadouro
Fui fazendo o meu mate
Vi o bilulú na praça
Trabalhando de engraxate...

Quando cheguei no Jóquei Club
Na várzea vi as olarias
Lembranças que me judia
Ferindo mesmo que um raio
No vinte e quatro de maio
Também joguei futebol
Passei lá na bomba seca
Campereando isca pra anzol.

Cine Columbia e Centenário
Os cinemas da cidade
Quase chorei de saudade
Quando passei por ali
E a extinta Radio Itaqui
Fez minha voz ficar rouca
Me lembrei do Muçurana
Tocando gaita de boca.

Me recordei da radiola
Que tinha o Pedro Coffi
Te juro quase morri
Parecia um pesadelo
Senti arrepiando o pelo
Dando um nó no meu gargalo
Vi até o carro da funerária
Que era puxado a cavalo.

Me lembrei da Serramalte
Onde o trem pegava gelo
Da saudade fiz sinuelo
Campereando a pampa rica
Recordei o Ramão Bica
Defendendo a profissão
Quando repartia carne
No seu carrinho de mão.

No calendário do tempo
Fui arquivando esta historia
Que guardo na minha memória
Mais doce do que o mel
E o que na foi pro papel
Deixei escrito com giz
E arrematei lá na praça
Enfrente a Igreja matriz.

Poesia em PARCERIA COM QUIDE GRANDE

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