PAISANO
Ninguém
sabia de onde, surgiu aquele paisano
Montado
num baio ruano, chegou na estância a tardinha
Não
disse da onde vinha, se apresentou ao patrão
Talvez
por ser de confiança, na estância ficou de peão.
Pois
nunca disse seu nome, lhe apelidaram Nicácio
Era
irmão do Anastácio, do negro velho borracho
Chapéu
grande e barbicacho, nunca gostou de lorota
Garrucha
boca de sino, sempre enfiada na bota.
Disposto
para qualquer pega, na estância ficou lidando
Trançando
corda e domando, com capricho e altives
Sabia
carnear uma rés pealava bem num rodeio
Briga
de touro apartava pechando bem sobre o meio.
Potro
por mais caborteiro, já ali no primeiro berro
Se
cortava sobre o ferro daquele maula paisano
Que
parecia um cigano cruzando de peito aberto
Porque
não tinha querência nem pago nem rancho certo.
Tinha
ficado extraviado, na guerra do Paraguai
Nunca
conheceu seu pai e assim se criou rolando
E
quando sozinho mateando, prosiava com a madrugada
E
quando estava de folga, brincava com a cachorrada.
Eu
lembro era mês de outubro, pendendo pro fim do ano
Ninguém
mais viu o paisano, nem se quer se despediu
Mesmo
que o vento sumiu, talves pras bandas do norte
Se
foi aquele paisano reculutando a sua morte...
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