quinta-feira, 26 de março de 2015

PAISANO

                            PAISANO

Ninguém sabia de onde, surgiu aquele paisano
Montado num baio ruano, chegou na estância a tardinha
Não disse da onde vinha, se apresentou ao patrão
Talvez por ser de confiança, na estância ficou de peão.

Pois nunca disse seu nome, lhe apelidaram Nicácio
Era irmão do Anastácio, do negro velho borracho
Chapéu grande e barbicacho, nunca gostou de lorota
Garrucha boca de sino, sempre enfiada na bota.

Disposto para qualquer pega, na estância ficou lidando
Trançando corda e domando, com capricho e altives
Sabia carnear uma rés pealava bem num rodeio
Briga de touro apartava pechando bem sobre o meio.

Potro por mais caborteiro, já ali no primeiro berro
Se cortava sobre o ferro daquele maula paisano
Que parecia um cigano cruzando de peito aberto
Porque não tinha querência nem pago nem rancho certo.

Tinha ficado extraviado, na guerra do Paraguai
Nunca conheceu seu pai e assim se criou rolando
E quando sozinho mateando, prosiava com a madrugada
E quando estava de folga, brincava com a cachorrada.

Eu lembro era mês de outubro, pendendo pro fim do ano
Ninguém mais viu o paisano, nem se quer se despediu
Mesmo que o vento sumiu, talves pras bandas do norte

Se foi aquele paisano reculutando a sua morte...

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